Monday, February 25, 2008

300 ml

Ao começar redigir este post, tive dúvidas sobre o caminho que meu texto seguiria, quais características do 300 ml descreveria, ou qual influência do trabalho deles acho mais marcante. Porque não começar descrevendo o que é 300 ml? Para quem ainda não ouviu falar, são dois diretores cariocas, que assim como o dogma 95, preferem esconder sua verdadeira identidade sobre esse bizarro codinome – 300 ml.

Sobre o trabalho da dupla, seria mais fácil escrever um ensaio acadêmico do que sintetizar toda a riqueza de signos e criatividade para narrativas num único post. A começar vale admirar o tom autoral de suas propagandas. Ainda mais numa realidade cada vez mais nivelada, onde num mundo voltado para o resultado que é a publicidade, os diretores preferem não colocar marca pessoal na propaganda. Vai a dica, hungryman.com, lá estão os quatro trabalhos publicitários do duo.

Uma característica marcante da dupla, é o tempo de narrativa, essencialmente cinematográfico. Daí penso que vem minha admiração. São diretores de cinema, fazendo propaganda. E não há comparação de visão entre esse profissionais. Insisto no discurso, não chamem publicitários para fazerem trabalho que um diretor de cinema faria mil vezes melhor. Dirigir a propaganda!

 

alt : http://www.youtube.com/v/Di9sVz5qehQ&rel=1

 

alt : http://www.youtube.com/v/Yg_DDdrcbH8&rel=1

Para terminar, vale ressaltar o estilo sígnico de composição visual. O hiperclichê, muito difundido por diretores como Wes Anderson (genial), e Tarantino (nem tão genial, mas divertido). Por falar em Tarantino, a dupla 300 ml, também ganhou notoriedade pelo divertido curta que fizeram, “Tarantino’s mind”, estrelado por Selton melo e Seu Jorge.

 

alt : http://www.youtube.com/v/NmBKavRRGqQ&rel=1

Posted by rveiga at 14:29:48 | Permalink | No Comments »

Wednesday, February 20, 2008

Publicidade é arte?

Muita gente deve imaginar que publicidade é apenas um artifício comercial utilizado para manipular, instigar, induzir e persuadir pessoas ao consumo de produtos, idéias e comportamento. É claro que isso ocorre. Seria um disparate, quiçá mau caratismo, tentar fingir que não fosse assim: “exaltar qualidades, esconder deficiências.”
Mas… entretanto, porém, todavia, muitos profissionais do meio publicitário carregam em seus espíritos a verve artística. E com o passar do tempo, notou-se que em nossa cultura globalizada e excludente, uns dos poucos, senão único canal de comunicação massificado a se aproximar das artes é a publicidade.
Pense nas emissoras de sinal aberto, onde podemos encontrar um pouco de beleza estética e prazeres elevados ao espírito? Nas novelas? Nos filmes? No Fantástico ou no Big Brother? Não falo do que se anuncia (não é desse tipo de prazer - de consumir - que eu digo), mas sim de ter prazer com o como se anuncia, tanto em seu conteúdo, quanto esteticamente (planos, luz, fotografia em geral, som, trilha, narrativa). E aqui no Brasil, minha agência preferida quando se trata de arte na publicidade, não sei se concordam, é a F/Nazca. Veja só o que há abaixo, é ou não é arte contemporânea?

alt : http://www.youtube.com/v/6k0pm2_e8qE&rel=1
Se pensarmos que a arte sempre refletiu o momento vivido pela civilização. Todavia o acesso a ela sempre esteve relegado a um seleto grupo ao longo dos séculos por falta de meios físicos e intelecutais e ao mesmo tempo, a contemporaneidade se vê midiática, portanto, massificada pelos meios de comunicação, quem pode dizer que a publicidade não é uma das representantes das artes hoje em dia?
Segue mais um exemplar dessa idéia. O cartaz abaixo, antes de ser uma mera “sacadinha”, é ao mesmo tempo provocador, contemporâneo e racional com os signos: nada melhor para representar o cinema do que os olhos!

Então, vocês concordam que a publicidade pode ser arte?

Posted by João at 14:00:49 | Permalink | No Comments »

Friday, February 1, 2008

Holocausto proibido

Em tempos de carnaval, o assunto é pertinente. Desde a confusão com o Cristo mendigo de Joãosinho Trinta em 1989, no memorável “Ratos e Urubus” da Beija-Flor, não se via tamanha polêmica. Agora o criativo carnavalesco Paulo Barros, que trocou a Tiijuca pela Viradouro no último carnaval, queria porque queria encenar o holocausto da 2ª Guerra na Sapucaí, num enredo esquisito sobre o Arrepio (é isso mesmo). O estopim de tudo foi o carro alegórico representando uma pilha de corpos esqueléticos, numa clara alusão ao massacre dos judeus, e, para completar, a alegoria ainda teria um destaque fantasiado de Hitler sambando. Era o que faltava para a justiça entrar em ação e proibir o carro, atendendo a pedidos e recursos de entidades israelitas, que classificaram esta parte do enredo como “banalização do holocausto”. Sei não… sou contra qualquer tipo de censura, menos da auto-censura. Paulo Barros não teve bom senso e dessa vez exagerou na tinta.

Posted by sbimba at 13:03:08 | Permalink | No Comments »