300 ml
Ao começar redigir este post, tive dúvidas sobre o caminho que meu texto seguiria, quais características do 300 ml descreveria, ou qual influência do trabalho deles acho mais marcante. Porque não começar descrevendo o que é 300 ml? Para quem ainda não ouviu falar, são dois diretores cariocas, que assim como o dogma 95, preferem esconder sua verdadeira identidade sobre esse bizarro codinome – 300 ml.
Sobre o trabalho da dupla, seria mais fácil escrever um ensaio acadêmico do que sintetizar toda a riqueza de signos e criatividade para narrativas num único post. A começar vale admirar o tom autoral de suas propagandas. Ainda mais numa realidade cada vez mais nivelada, onde num mundo voltado para o resultado que é a publicidade, os diretores preferem não colocar marca pessoal na propaganda. Vai a dica, hungryman.com, lá estão os quatro trabalhos publicitários do duo.
Uma característica marcante da dupla, é o tempo de narrativa, essencialmente cinematográfico. Daí penso que vem minha admiração. São diretores de cinema, fazendo propaganda. E não há comparação de visão entre esse profissionais. Insisto no discurso, não chamem publicitários para fazerem trabalho que um diretor de cinema faria mil vezes melhor. Dirigir a propaganda!
Para terminar, vale ressaltar o estilo sígnico de composição visual. O hiperclichê, muito difundido por diretores como Wes Anderson (genial), e Tarantino (nem tão genial, mas divertido). Por falar em Tarantino, a dupla 300 ml, também ganhou notoriedade pelo divertido curta que fizeram, “Tarantino’s mind”, estrelado por Selton melo e Seu Jorge.

