Wednesday, December 26, 2007

Cinema Periférico

Ao se visitar uma locadora de vídeo (ou DVD) damos de cara com um visível exemplo de influência cultural. De olhos fechados podemos crer que em torno de 80% dos filmes são provenientes de estúdios norteamericanos. A globalização dos mercados inflou o consumo de bens culturais em várias partes do planeta. Filmes no cinema, DVDs, shows, livros, peças de teatro - várias produções culturais se tornaram bens cobiçados e lucrativos em países desenvolvidos e até em desenvolvimento como o Brasil, o México, a Índia e a China.
Ao mesmo tempo em que invadiu, o cinema americano também teve que aturar o movimento contrário. Com a abertura econômica, a facilidade de produções estrangeiras chegarem ao resto do mundo também aumentou. Há inclusive quem prefira alugar DVDs da Espanha, Argentina, México, China e mesmo de países europeus a se aventurar ao velho modo de vida americano.
Apesar da pequena quantidade de distribuição, a qualidade das produções e as inovações de narrativas andam cativando o público consumidor de bens culturais. Até mesmo o cinema independente americano vem fazendo frente aos famosos e vazios blockbusters hollywoodianos.
Em 2007 duas obras espanholas fizeram bonito em DVD: Volver, do mago Almadovar e O labirinto do Fauno. Além desses dois filmes, 2007 foi também o ano para se rever um filme muito bonito: O clã das Adagas voadoras, do chinês Zhang Yimou. O que parece é que há uma nova concepção para se contar histórias com imagens e movimento, cores e nuances narrativas.

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Monday, December 10, 2007

Música de Consciência

No fim do último milênio, a boa música estava meio tímida, cada vez mais envolvida com nichos específicos e ficando irritantemente pop e pobre nos veículos de massa. Com a queda do muro em 89, os dez anos seguintes se transformaram em uma década de domínio cultural avassalador. Os Estados Unidos e seu modo de vida a la big brother (todo mundo quer ser famoso), invadiu os corpos e as mentes de uma grande parcela da população global. Como todo componente cultural vinha de lá, a música não poderia ser diferente. E por aqui não só a má qualidade do pop americano invadiu as rádios e as TVs, como também produziu seus filhos brasileiros que se prontificaram em ficar atrás desse filão de mercado efêmero: Você Se lembra do É o Tchan, do Bonde do Tigrão e sei lá mais o quê, que, por mais elementos harmônicos nativos que tivessem, em si, a alma do negócio é daquilo que só visa o lucro capital, a ostentação e a evocação orgiástica da vida (sexismo e libertinagem). Ou seja, a qualidade é prejudicada em virtude da quantidade de contratos assinados.

alt : http://www.youtube.com/v/yR1eghaDG3s&rel=1
É o tchan do Brasil!!!

Reviravolta

Pela TV ou pelo rádio, o esvaziamento da harmonia se fez por completo. A alternativa para quem é apaixonado por música foi resgatar artistas do passado, grandes bandas e shows memoráveis que não voltariam mais a existir na realidade, mas ao menos poderiam ser curtidos pelo home theater. A reviravolta cultural nos anos 2000 foi muito ajudada pelo anarquismo do ciberespaço. Redes e comunidades de trocas de informações, softwares de compactação e envio de músicas (Napster, E-Mule, Soul Seek, Kazaa), novos hardwares aumentando a capacidade de compartilhamento e claro, de produção. Aqueles que antes eram apenas espectadores, agora poderiam ser os produtores e o produto. Apesar dessas novas ferramentas, muito da tecnologia acabou sendo utilizada para se criar oportunidades de negócios. Se por um lado deu vazão à criatividade de mentes excluídas, a tecnocracia do capitalismo transformou idéias e comportamentos em marcas e produtos, influenciando e ultra-exaltando o consumo.
Em contraposição ao consumismo desenfreado de lixo fonográfico e a uma vida baseada no efêmero MTVismo(bandas de uma semana), algumas gravadoras e artistas se aproximaram de suas referências pregressas, adaptando-as aos movimentos musicais, artísticos e comportamentais do anos 90. Vide Grunge, E-music e cibercultura. Assim surgiu, em um revival que misturou o punk novaiorquino dos 70, a beat generation dos 50 e o jazz quarentista.
O grupo novaiorquino The Strokes é um exemplo claro dessa tentativa de humanização em meio à mercantilização da música. Além de possuir em sua música e estética visual, referências claras aos movimentos artítiscos do período entre 50 e o fim dos 70, a banda traz batidas punks, mas que chegam a lembrar desde um drum´n bass orgânico ao pop oitentista, guitarras com arranhões e um estilo estético alternativo (mas que claro, já foi englobado pelo marketing e já é um estilo de vida vendido e muito bem valorizado): Cabelos grandes e desgrenhados, roupas-roupas sem se preocupar com a grife, jeans, All-Star nos pés, letras existencialistas sobre o cotidiano efêmero, a vida noturna, as artes, a cultura.

alt : http://www.youtube.com/v/3tuvX_X7Rlw&rel=1

Esse tipo de personagem parece integrado ao mundo contemporâneo de forma consciente. Acredita no uso da tecnologia, mas não nesta como finalidade da vida. Aprecia o novo, mas dá valor ao passado (também gosta de ouvir o chiado do vinil). Sabe de sua responsabilidade social em se tornar um indivíduo, ter suas próprias idéias, transmití-las com as próprias forças, sem atrair publicidade por pura coincidência e sim, por consciência.

Posted by João at 14:33:04 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, December 5, 2007

Reconhecimento não é qualidade

Para quem acompanha quadrinhos Rob liefeld dispensa apresentações. Para quem não acompanha, basta dizer que foi o ilustrador e roteirista mais badalado da década de 90. Assinou diversas publicações como X-Force, Deadpool e foi o responsável pela nova roupagem do Quarteto Fantástico. Sua fama foi tão grande naquela época, que lhe rendeu o estrelato em uma propaganda da Levi´s.

Mas na realidade, Liefeld nunca passou de uma jogada de marketing e apadrinhamento de diretores da Marvel, seu texto quanto seus desenhos são de qualidade muito duvidosa. E hoje vive entre uma adaptação da bíblia para quadrinhos e falar mal, do Alna Moore, que é para muitos o melhor quadrinista de todos os tempos.

Recentemente um site fez a lista (para ver a lista clique aqui) dos piores desenhos de Rob Liefeld. É legal dar uma sacada nas desproporções dos desenhos, e na falta de capricho. Nem sempre ser reconhecido significa qualidade.

Posted by rveiga at 18:17:34 | Permalink | No Comments »